sábado, 14 de fevereiro de 2009

Meu poema de final de junho

sábado, 14 de fevereiro de 2009



Tô numa tristeza sem tamanho hoje. Eis a minha terceira tentativa de escrever alguma coisa sobre isso, mas não sai nada que preste. Então, por favor, empreste um pouco da sua paciência. Temo que tenha-se esgotado a minha poesia; que tenha-se esvaziado o repertório do poeta, que até então me acolhia, que até então me abrigava sob o seu manto sagrado de versos. Não há versos, assim como não há lágrimas ou destino. Não há nada. Há o meu desatino.


Sinto o peso do universo a se apoiar nas minhas costas. Sinto o peso dos meus erros, do insucesso das apostas. Sinto medo do futuro. Dos tenebrosos mistérios da semana que vem. Das inevitáveis conseqüências dos meus atos, dos quais não hei de sair impune.


Há alguém aí que tenha pensado em mim? Há algum humano que tenha chorado assim? Há vida em outro planeta? Por favor, me levem para lá. Deve haver alguém que queira conversar, alguém que compreenda e que queira sentar numa tarde de domingo e ter uma longa conversa sobre futilidades. Deve haver alguém que sinta saudades e que saiba compreender.


Hoje eu rasparei a cabeça, e na orelha esquerda colocarei um adereço dourado. Estou de partida para um mosteiro. Eu não tenho dinheiro, mas fui muito amado. Cansei de ser católico apostólico budista com ares de macumbeiro. Cansei de fazer planos tolos no mês de janeiro, para então esquecê-los no decorrer do ano. Nada eu me chamo. Partirei amanhã pro Nepal para não retornar à cidade natal, onde lidei com tamanhas indiferenças.


Minhas crenças? Nada mais procuro compreender. Dane-se o porquê das coisas mesquinhas; danem-se as ladainhas, os sermões, as marchinhas de carnaval, a moda, a busca pelo ideal. Pretendo ficar somente com as boas lembranças. As heranças que fui colhendo ao passar.


Minha bagagem está repleta das coisas que deixei de ser. Nada espero. Nada procuro. Se me desespero, eu ainda juro que voltarei a sonhar. Eu prometo mandar lembranças para o lado de lá. Prometo ligar no Natal. Remeter um cartão-postal. Enviar uma mensagem de quando em quando. Só não prometo continuar esperando.


Aos inimigos, peço perdão por lhes ter ofendido. Aos meus pais, peço desculpas por haver reprimido o “eu-te-amo” entre os dentes. Aos meus amores... eu rompo as correntes e deixo lembranças para contar. Do harém levo michês e prostitutas. Às parcerias peço desculpas. Sim, peço perdão. Tive estrabismo, vivi em vão, tive ejaculações precoces, mas nada foi intencional. Eu juro.


Ainda estou me recompondo da última vez em que gozei. Ainda estou me perdoando pelas vezes que falei além do que devia falar. Ainda estou aprendendo a jogar com os pérfidos e cretinos e ser bailarino em corda bamba. Ainda estou aprendendo samba, pois a lambada já morreu. Estou aceitando o futuro que Deus me deu.


Deixo então o meu futuro para Ele brincar como quiser. O que vier será lucro, e eu ainda prometo dar cinqüenta por cento aos necessitados. São os resultados da minha esperança, são os bilhetes da Mega Sena, que fui preenchendo nas casas lotéricas dos meus descaminhos. Que façam então a partilha dos meus desgraçados bens.


Mas que ninguém tenha pena, ou tenha se quiser. Mas que ninguém me procure. Que ninguém me chame. Que ninguém me ame de verdade, pois eu poderia não suportar. Não mandem mensagens via e-mail, não liguem nem deixem scraps no meu Orkut. Que não hajam lenços ao vento, abraços ou choro. Quero partir vazio, sem expressão. Quero ser estrangeiro onde chegar. Eis a minha caminhada: ontem deixei de ser, amanhã retomo a jornada. Apenas hoje, por favor, permita-me não ser ninguém. Hoje é meu descanso, a minha sesta, o meu samsara. Em seguida talvez eu volte a acreditar em arco-íris depois da chuva, em demônios durante a quaresma, em cartomantes que vêem o destino. Até em amor eu posso acreditar.


Acabaram-se as férias e não fui a lugar algum. Acalmem-se bactérias, pois eu sou apenas um, apesar de ser humano. "Querer" eu me chamo. Então, podem levar.


Obrigado.



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Alex

 
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