terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Cristóvam Buarque e a internacionalização da Amazônia

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010


Caros leitores,


não é comum que eu poste neste blog textos facilmente encontrados na internet, tampouco textos de e-mail’s desmedidamente compartilhados via e-mail, dado o meu objetivo de disponibilizar aqui algo novo, original e (mais ou menos) inteligente. Hoje, no entanto, após receber pela segunda vez um e-mail referente a um belo discurso, supostamente de autoria do senador Cristóvam Buarque (PDT-DF), fiquei um tanto intrigado. Acostumado a receber correntes fajutas e e-mail’s falsos muitíssimo bem bolados, fiz uma breve pesquisa na Internet, a fim de confirmar a veracidade do e-mail em questão. Foi quando encontrei o Blog BR / JAPAN, no qual o autor disponibilizou um post acerca do belo discurso do senador. Milton, o autor do blog, informa haver encaminhado uma mensagem ao senador Cristóvam Buarque questionando-lhe acerca da autoria do discurso, disponibilizando tambéquestionando-lhe acerca da autoria do discurso, disponibilizando tambrmar a veracidade do e-mail em questno! Confiem em mim.m a resposta do senador, que, por sua vez, é positiva.


Sei que muita gente torce o nariz a tudo que vem de políticos. Sendo assim, dispensando-se quaisquer referências à questões políticas -- se é que isso é possível -- acredito que a beleza do discurso de Cristóvam Buarque é sustentada não apenas pela ironia da qual se valeu, mas pela esplanação de valores aos quais tanta gente, seja da nacionalidade que for, dá de ombros. O patriotismo, a sonhada democracia, a dignidade... tudo isso, em uma bela síntese, se faz presente no discurso em questão.


Sei também que muito tempo se passou. O discurso já foi disposto em livro e em setembro de 2000 eu, na minha amargurada adolescência, não chegava a sonhar em ter um blog e muito menos em enveredar-me em uma discussão desse tipo. O discurso de Cristóvam Buarque, no entanto, consta de reflexões que jamais hão de perder a validade. Um grande beijo.



Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos,o ex-governador do DF, ex-ministro da educação e atual senador Cristóvam Buarque, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro.


Esta foi a resposta do Sr.Cristóvam Buarque:


"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.


"Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.


"Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço.


"Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.


"Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês,decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.


"Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas os presidentes de alguns países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.


"Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.


"Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro.


"Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!



FIGUEIREDO, Carlos (Org.). 100 discursos históricos brasileiros. Belo Horizonte, MG: Ed. Leitura, 2003, 552 p.


2 comentários:

SURAIA

Que belo post! Raramente comento um blog, mas estava justamente tentando verificar a veracidade da autoria do texto, que é realmente ótimo, quando o google indicou-me esta página. Parabéns pela "reportagem virtual" e pelo blog também, que estou vasculhando e adorando

Alex Gabriel

Olá, Suraia. Que lisongeiro o seu comentário. Fico feliz por haver gostado da reportagem. O discurso de Cristóvam Buarque é comovente em qualquer tempo. Seja sempre bem-vinda a este blog. Um abraço. Alex

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