terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A Princesa e o Robô

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010


Título original: A Princesa e o Robô

Ano: 1983

Direção: Maurício de Sousa

Roteiro: Itsuo Nakashima, José Márcio Nicolosi

Gênero: Animação/Aventura/Comédia/Romance

Origem: Brasil

Duração: 93 minutos



Tal como os internautas que comentaram e avaliaram o filme aqui, eu tenho "A Princesa e o Robô" como uma boa recordação de minha infância. Recordo-me bem de que, após assistí-lo, custava-me parar de cantarolar o refrão de "O Brilho de um Pulsar" pela casa, merecendo, por isso, as reprimendas de minha mãe. Passaram-se, porém, vinte e sete anos após a produção deste filme, e temos, atualmente, crianças com gostos distintos da geração de crianças que assistiu ao "A Princesa e o Robô". Essa mudança é boa? É ruim? Sinceramente não sei. Embora seja cristalino para mim que o mundo regrediu em muitos aspectos desde a década de 80, procuro esquivar-me de comentários nostálgicos do tipo "Os filmes de hoje em dia são uma porcaria!". As coisas não são bem assim. Os tempos mudam e, paralelos a eles, mudam-se as pessoas, os seus anseios, receios etc., e tudo o que a Arte faz é refletir essas mudanças. E garanto que as histórias da Turma da Mônica não ficaram para trás. Elas acompanham, continuamente, as referidas mudanças. "Turma da Mônica Jovem", por exemplo, surgiu com o objetivo de não perder um público adolescente que não mais se contenta com os conflitos infantis das quatro simpáticas crianças (cinco, com o Chico Bento).


"A Princesa e o Robô" é, talvez, um filme impassível de uma grande e objetiva crítica, sendo fator principal para tanto o fato de ele ser estrelado pela turminha. Ou seja: quem não curte a Turma da Mônica simplesmente não gosta deste filme. "Xuxinha e Guto Contra os Monstros no Espaço" (filme ao qual não assisti) apresenta-se a alguns como um grande caos na animação brasileira, mas trata-se da visão de telespectadores que nem sequer apreciam ou apreciaram a Xuxa como Rainha dos Baixinhos. Logo, o mencionado filme de 2005 se torna alvo de algumas críticas negativas com as quais nos deparamos. Isso não lhe parece injusto? A mim parece. Bom, então temos essa razão-chave: algumas animações (e até filmes comuns, adultos), bastante despretensiosas, procuram agradar não necessariamente pela história, mas pelos conhecidos e amados personagens que apresentam.


Nesse âmbito, “A Princesa e o Robô” apresenta um pequeno problema, o que torna possível um pouco de crítica racional e objetiva acerca do mesmo: muito embora trate-se do primeiro filme completo da turma, sem divisão por episódios, observa-se que a turma, propriamente dita, não tem uma história, não participa efetivamente do filme. Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão simplesmente estão ali, como meros coadjuvantes, deixando o posto de protagonistas para o Robozinho, Lorde Coelhão e a Princesa Mimí (que engraçado escrever esses nomes atualmente!). Isso, no entanto, seria um erro apenas para os dias de hoje, pois era plausível na época. Tanto que eu só vim a percebê-lo ao rever o filme recentemente. Vejamos: estando a turminha no auge da fama na década de 80 e boa parte da década de 90, Maurício de Sousa era o suficientemente esperto para saber que, para agradar ao seu público, não se fazia necessário atribuir grandes feitos aos personagens da turma, sendo que já agradava, e muito!, o simples fato de os mesmos aparecerem na telinha, munidos das estranhezas hilárias que os caracterizavam (a comilona, a forçuda, o que trocava os “erres” pelos “éles” e o que tinha fobia de água). Há um bom tempo não leio histórias da turma. Gostaria de fazê-lo para ver como são atualmente. Mas tenho o palpite de que apenas aquelas características não seguram mais uma história. Não que a turminha não seja mais amada. O fato é que atualmente temos um público infantil, em boa parte, mais exigente.


Outro ponto negativo se refere às aparições da personagem Magali. Corrijam-me se eu estiver equivocado, mas em 1983, se bem me lembro, a Magali não tinha ainda uma revistinha própria, sendo que suas aparições restringiam-se aos gibis alheios. O que se percebe, portanto, nas animações de Maurício de Sousa daquela época, é uma tentativa para lá de forçada de se inserir a personagem nas histórias. Em “A Princesa e o Robô” é imperdoável o fato de o personagem Anjinho ter maior destaque do que ela, sem falar nas cenas em que não se fez questão em desenhar a personagem. Ela simplesmente desaparece em algumas ocasiões. A mim, particularmente, Magali cativava pela doçura. Hilária a cena em que, ao entrar na casa de um dos personagens (provavelmente da Mônica), Magali abre a geladeira e apanha uma melancia, com extrema espontaneidade, deixando Mônica boquiaberta.


Destaque para a dupla Lorde Coelhão e seu espião esquisito. Maurício de Sousa se saiu bem na reprodução do clichê do bandido chefão que não fazia nada além de dar ordens e do seu espião idiota. Destaque também para as canções e para a abertura do filme. O narrador tem uma entonação belíssima.


A atuação dos dubladores, como sempre, é perfeita, e os mesmos defendem bem os seus personagens. Apenas recentemente eu fui descobrir que a dublagem do Cebolinha é realizada por uma mulher (Angélica Santos). Bom, talvez devêssemos comentar um pequeno erro de produção: uma cena em que o Cebolinha aparece somente de cueca – já que havia acabado de acordar – seguida de um corte e outra cena em que ele aparece já vestido. Bom, ele estava na rua, portanto não teria como se vestir. O filme, no entanto, é tão despretensioso que não carece de tal observação. Talvez seja justamente esta a beleza do filme: a despretensão. Não se trata de um clássico Disney, criado com a clara intenção de eternizar-se (no que não há nada de negativo). “A Princesa e o Robô” é apenas uma animação leve para quem gosta da turminha. Merecia um final diferente, talvez com uma mensagem de caráter educativo ou algo do tipo, mas Maurício optou por um fim mais cômico. Nem por isso, todavia, a história deixa de passar mensagens boas acerca de solidariedade, amor, honestidade e não-violência. Como filme mereceria nota 6. Haja vista, no entanto, que o mesmo não deve ser avaliado por essa ótica, eu lhe dou nota 9,5, como filme da turminha que fez parte da minha saudosa infância!


...


Publicado originalmente em CinePlayers.


1 comentários:

Darini, o Valente

Cara, excelente texto! Foi por acaso que achei seu blog, enquanto procurava por uma foto do filme. Eu me identifiquei com praticamente tudo o que escreveu. Parabéns!

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