quarta-feira, 18 de maio de 2011

Rua das Rimas, de Guilherme de Almeida

quarta-feira, 18 de maio de 2011
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Um dia, percorrendo as veredas deste cibermundo, dei-me com um vídeo no YouTube que mostrava a atriz Regina Duarte (outrora Regina eu-tenho-medo Duarte) no Programa Silvio Santos dizendo um trecho do poema “Rua das Rimas”, de Guilherme de Almeida, em uma interpretação delicada e belíssima. Eu, que até então jamais havia dado grande importância ao texto, apaixonei-me pelo poema, no qual o eu-lírico descreve a rua ideal que queria para si. Decidi-me, então, por criar o vídeo que ora apresento. Minha interpretação não chega, obviamente, aos pés da interpretação da Regina Duarte, mas quis arriscar, esperando, de coração, que você goste, e que, junto de mim, siga o trajeto rumo à Rua da Felicidade...




Rua das Rimas


Guilherme de Almeida


A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino pequenino

é uma rua de poeta, reta, quieta, discreta,

direita, estreita, bem feita, perfeita,

com pregões matinais de jornais, aventais nos portais, animais e varais nos quintais;

e acácias paralelas, todas elas belas, singelas, amarelas,

douradas, descabeladas, debruçadas como namoradas para as calçadas;

e um passo, de espaço a espaço, no mormaço de aço laço e basso;

e algum piano provinciano, quotidiano, desumano,

mas brando e brando, soltando, de vez em quando,

na luz rara de opala de uma sala uma escala clara que embala;

e, no ar de uma tarde que arde, o alarde das crianças do arrabalde;

e de noite, no ócio capadócio,

junto aos lampiões espiões, os bordões dos violões;

e a serenata ao luar de prata (Mulata ingrata que me mata...);

e depois o silêncio, o denso, o intenso, o imenso silêncio...

A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino pequenino

é uma rua qualquer onde desfolha um malmequer uma mulher que bem me quer

é uma rua, como todas as ruas, com suas duas calças nuas,

correndo paralelamente, como a sorte indiferente de toda gente, para a frente,

para o infinito; mas uma rua que tem escrito um nome bonito, bendito, que sempre repito

e que rima com mocidade, liberdade, tranqüilidade: RUA DA FELICIDADE...

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2 comentários:

Anônimo

como vc se espirou neste poema

William Andrey

gg

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