quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Quando a madrugada diz...

quarta-feira, 31 de agosto de 2011
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Imagem retirada do blog the hidden self.

Luiz,


esta é uma daquelas madrugadas durante as quais o que mais quero é que tudo o que sinto se revele a você de modo a não deixar-lhe dúvidas e transmutar qualquer barreira que a resistência, o medo, o orgulho e a raiva hajam erguido. Não que a queda dessas barreiras fossem resultar em alguma reciprocidade, dado que isso é tão improvável quanto o Brasil estar preparado para a Copa no curto prazo de dois anos. Apenas penso que, sem os muros que você mantém em torno de si – ou ao menos manteve durante todo aquele tempo de nossa sofrida convivência –, você compreenderia que não fui e jamais seria um “vilão” que viva para lhe esfregar em sua cara o que pensava sobre você. Tampouco quis ser chato, infantil ou pegajoso. Tão somente fui um homem que o amava ou pensava amá-lo, e que, mesmo com a falta de jeito, queria lhe mostrar o quanto, por imaginar que, assim, alguma coisa maravilhosa poderia acontecer. Ok, eu me equivoquei. Coisas maravilhosas aconteceram, sim, mas somente depois de muito pesar e de toda a maturidade que ele trouxe. A despeito disso, porém, quando deito, ainda ouço as rusgas daquele tempo ruim a me pedir socorro: palavras implorando por serem ditas, beijos implorando por serem dados, desejos implorando por serem satisfeitos, dúvidas urgindo serem sanadas. Logo, fico aflito, não durmo. O suor forma uma poça sobre a cama; as mãos improvisam como podem, mas dão conta de pouco, quase nada, apressadas demais que são. Eu sinto saudade... saudade e ojeriza a este mundo contraditório, que se diz pequeno, mas que nos separa por tantos mares, por tantas mágoas e desentendimentos...


Luiz,


esta é uma daquelas madrugadas durante as quais eu olho a vida e vejo o passado todo aqui, inteiro, vivo, caminhando comigo ou a redor de mim. E assim, após a explosão de cores e sons, eu, cansado, arfante, olho no espelho a minha fronte gotejada de suor e digo a mim mesmo, estarrecido, desolado: eu não esqueci.

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Alex

 
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