terça-feira, 25 de outubro de 2011

Trecho de "Milagre da Arara Azul", de Justino Seneval

terça-feira, 25 de outubro de 2011
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“Eu trago tanta saudade daquele tempo, porque era bom. Eu não tinha nada e não queria nada, e sequer imaginava existir este desconforto que hoje me tira o sono, me causa rugas, me faz querer viver o que será a minha morte certa... Por quê? Eu venho me perguntando isso ao longo desses anos. E, como resposta, tenho apenas o seu ronco intenso ao meu lado, quando desperto sobressaltado, perdido na madrugada. Você está alí, mas é estranho... Parece que não está. É, se você dissesse hoje que vai embora, eu me humilharia, eu juro que imploraria que você ficasse. Não por querê-lo presente, mas pela falta que me faria a confirmação noturna de sua ausência. É assim... Eu preciso que você esteja alí para que eu esteja certo de que você não está. Não se preocupe, não o quero, assim como não quero reviver aquele tempo bom em que nada existia. Nem você, nem seu sono pesado, nem seu ronco estúpido a fazer um dueto com o longínquo ladrido dos cães. Nada. A vida tem me ensinado que passado deve continuar a ser passado e saudade, ainda que doída, não merece ser assassinada. É crime matar saudade...”



SENEVAL, Justino. Milagre da Arara Azul. Nova Aliança, MG: DuArte, 1986, p. 117.


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