quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Mensagem do Além

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Título original: Ghost Son

Ano: 2006

Direção: Lamberto Bava

Roteiro: ?

Gênero: Drama/suspense

Origem: África do Sul/Espanha/Itália/Reino Unido

Duração: 90 minutos de tormento



Não raro sou surpreendido por filmes que, de tão absurdos que são, me levam a questionar o que pode haver passado pela cabeça de um diretor para que o mesmo se envolvesse com um projeto notoriamente fadado ao fracasso. Uma vez que tenho para mim que a produção de um filme está longe de ser algo simples, não vejo outra alternativa que não autoestima em excesso desses diretores e demais envolvidos como justificativa para a realização de algo tão ruim como Mensagem do Além (Ghost Son, 2006), de Lamberto Bava. O título do filme, aliás – tanto o brasileiro quanto o original – já nos dão um sinal da qualidade do que estamos prestes a ver.


Mensagem do Além chegou às minhas mãos através de uma pessoa com a qual eu havia assistido, recentemente, a Cisne Negro, de modo que, ao pôr em minhas mãos a “obra” de Bava, a pessoa descreveu-a da seguinte forma: “É ainda melhor do que aquele filme que vimos naquele dia”. Eu, ingênuo e desacreditando que uma pessoa pudesse ter gosto tão pouco refinado ao ponto de fazer tal comparação, fui, curioso, assistir ao filme. Fatalidade...


Não há muito o que se comentar sobre Mensagem do Além. Trata-se de uma história horrível, improvável, desprovida de sentido. Stacey e Mark são um casal apaixonado, interpretados pelos péssimos (ao menos neste trabalho) Laura Harring e John Hannah. Temos, a princípio, um suspense desmotivado e não justificado ao longo da trama; em seguida temos trocas de carícias entre os dois personagens, entre os quais, aliás, não há o mínimo resquício de química, até o momento em que a mocinha – sobre a qual não sabemos absolutamente nada – se decide por permanecer ali, vivendo com o seu amado. Aí descobrimos que ambos estão na África do Sul. Determinada fala de outra personagem, aliás, nos dá a entender que ambos estão lá recentemente. Então, em momento algum compreendemos o que, afinal de contas, os dois estão fazendo lá. Baseando-nos apenas neste filme, aliás, teríamos a certeza de que África do Sul é o mais monótono dos lugares, visto que a beleza local raramente – quase nunca – é aproveitada no filme. Em meio a isso tudo, temos também uma criança/adolescente (é que ela menstrua durante a história), Tandy, que vive a mentir acerca de sua mãe, que na verdade está morta. A verdadeira razão pela qual a menina mente tanto, porém, não fica clara ao longo do filme.


De repente, acontece uma morte, o que dá uma pequena esperança para o telespectador, farto que está de tanta embromação e atuações deploráveis. Quem morre é o tal Mark, que só pode haver provocado o acidente voluntariamente, visto que seu carro capotou em uma estrada sem o menor movimento de carros ou pedestres e, como se não bastasse, cercada apenas por arbustos de ambos os lados. Stacey, ao chegar ao local do acidente e se deparar com o seu amado prestes a morrer, faz o que qualquer um faria: suplica que ele permaneça com ela, que não vá embora e todas essas pieguices que diríamos ao ver uma pessoa querida em uma situação dessas.


E é aí que o filme começa a piorar: Mark começa a assombrar a moça. A princípio ela até gosta, pois o fantasma aparece apenas para fazer amor com ela, em cenas para lá de cansativas e sem graça. Com o tempo, porém, o rapaz se mostra determinado a induzir a sua amada a acabar com a própria vida, de modo a ficar com ele do “outro lado”. Surpreendentemente, temos, agora, um outro Mark, totalmente diferente do personagem afável de outrora. Também surpreendentemente Stacey concebe um filho, embora estranhando o fato de haver engravidado a despeito de ela e Mark haverem sempre se prevenido. Claro, não atinou ela para o fato de que fantasmas não costumam usar preservativo. Martin, o ghost son do título, nasce em um parto difícil, começando, desde aí, a ser uma maldição na vida da personagem de Harring. A partir de então nos vemos diante de cenas de gosto para lá de duvidoso envolvendo mãe e filho: em dado momento, o bebê, embora sem dentes, morde o seio da mãe durante a amamentação; em outro, quando Mark como que encarna-se no corpo do filho, o bebê toca o seio da mãe e, aparentemente, fica teso; mais à diante temos uma cena de vômito que nos remete mais a O Pestinha 2 (Problem Child 2, 1991) e Todo Mundo em Pânico 2 (Scary Movie 2, 2001) do que a O Exorcista (The Exorcist, 1973), o que, possível e pretensiosamente, era o objetivo de Bava.


E eu ainda nem falei de um médico, interpretado por Pete Postlethwaite – que, coitado, morreu tendo um trabalho horroroso desses em sua filmografia – que tem sempre um amuleto no pescoço, expressão misteriosa e o dom de invadir tarde da noite a casa de Stacey justamente nos momentos em que é mais necessário. O homem, porém, se recusa a acreditar na moça com suas histórias de fantasma. Não me surpreende: o telespectador também se recusa a acreditar que está vendo este filme.


E ao final o que temos: Stancey recebe de uma simpática personagem, habitante do local e conhecedora desses temas sobrenaturais o conselho de pegar o seu filho Martin e ir para longe daquela casa. Enquanto isso, Mark, encarnado no filho, está em casa, assustando a pobre Tandy – aquela garota mentirosa mencionada anteriormente – e até provocando a sua morte (!). Arrancar Stacey de sua forma carnal, porém, parece ser mais difícil, e a moça está decidida por não “viver” do outro lado com seu amado, querendo apenas salvar seu filho, embora qualquer pessoa em perfeita sanidade já houvesse se livrado do assombroso moleque.


Ao final, tudo termina bem. Não para o telespectador, claro. A mocinha olha fixo para o seu amado com uma cara de quem sente cólica e diz que não o ama mais, revelação essa que faz o seu amado desaparecer em um efeito especial fantástico, nunca antes visto no cinema. Ela abandona a casa com o seu filho monstro, concebido em uma transa com um fantasma e, após alguns anos, retorna para rever aquele lugar que tantas lembranças boas lhe traz, revelando ao telespectador que mentira para o espírito de Mark dizendo não amá-lo apenas para salvar o seu filho, e que, na verdade, jamais deixou de amá-lo.


Conclusões:


  1. O presidente da África do Sul devia vetar a entrada de Lamberto Bava por aquelas bandas, tal como ocorreu com Brad Pitt, proibido de entrar na China em ocasião de sua participação em Sete Anos no Tibet (Seven Years in Tibet, 1997), um filme bom, aliás, diferente do outro em questão.
  2. Eu devia processar quem me sugeriu este filme.
  3. Lamberto Bava não curte crianças.
  4. A carreira de Laura Harring, John Hannah e qualquer outra pessoa que haja se envolvido com a produção deste filme, sem dúvidas, está acabada.
  5. Framboesa de Ouro seria uma premiação boa demais para este filme.
  6. Mantenha longe do alcance... de qualquer pessoa.


Sem mais.


***


Publicado originalmente em CinePlayers.


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