segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Félix e Niko: sinal de um tempo bom

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014


Quando ouço alguém dizendo algo do tipo "Argh!, agora toda novela da Globo vai ter relacionamento gay..." recebo a informação com um tal estranhamento que, a título de teste, faço questão de, intimamente, trocar a palavra "gay" por, por exemplo, "negro". Tal recurso, devo dizer, só me leva a uma conclusão: sim, toda novela da Globo e de qualquer outra emissora deve abordar relacionamentos homoafetivos. É tema obrigatório, tal como o é o racismo ainda presente, a pobreza, a deficiência, a terceira idade e afins.

São temas obrigatórios por se tratar de esferas sociais nas quais se fazem presentes minorias que nem de longe o são em termos numéricos. Gays, pessoas com deficiência, negros etc. devem, sim, estar presentes nas tramas tal como estão em nossa vida, em nosso dia a dia, em nosso local de trabalho, em nossa família etc.

Por mais divertido que seja assistir às telenovelas, não podemos negar que, quando nos colocamos diante da tevê, o que nos é apresentado ali é um mundo irreal. Um mundo com uma grande maioria de pele branca, circulando pela rua, pela universidade e pelos demais núcleos da trama. No tocante às pessoas com deficiência nem se fala! Elas raramente existem. E, assim, nos é apresentado na telinha um mundo à parte, um mundo fora do mundo. Um mundo de pessoas branquinhas (com empregados negros, naturalmente), perfeitas e casais heterossexuais em sua maioria. Histórias mirabolantes, grandes reencontros e terríveis mistérios, mas poucos vivendo conflitos reais.

Essas pessoas precisam estar presentes na trama, e nem se faz necessário que se crie polêmica em torno delas. Basta que estejam lá, tal como estão em nossa lida diária. Elas precisam estar ali porque fazem o mundo acontecer e, principalmente, porque também recebem a programação televisiva goela abaixo diariamente, de modo que merecem, no mínimo, serem retratadas na ficção, uma vez que esta se pretende narrativa baseada na vida real.

Eu espero, sim, que, a partir dos recentes avanços, a questão da homossexualidade siga sendo amplamente abordada nas tramas, com muitos beijos gays, mas também com a infinidade de aspectos da homossexualidade ainda por serem levados à telinha. No âmbito da teledramaturgia global estamos diante de uma grande mudança de tempo: abandona-se o estratégico enaltecimento das minorias, onde se perpetuava, por exemplo, o estereótipo do gay bonzinho e inteligente, para abraçar o cara da vida real, que trai a esposa com jovens rapazes; que mantém um casamento de aparências com o intuito de esconder a sua verdadeira identidade sexual; que, além de amar, também sente puro e simples desejo; que desestabiliza a relação com o parceiro por se aventurar na cama da melhor amiga do mesmo.

Enfim, adentramos um tempo em que a teledramaturgia, embora muito de qualidade tenha perdido ao longo dos anos, está mais aberta a mostrar esses atores sociais e suas histórias, às vezes bonitas, às vezes não. A diversidade e inconstância da vida real com os seus tons ficcionais.


É tempo de a teledramaturgia tirar essas pessoas dos seus armários, pois, na vida real, faz tempo que elas saíram de lá...

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