sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Inversão de Cecília ou Desmotivo

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O poema que se segue foi premiado em 10º lugar no 1º Concurso Virtual de Poesia Tradição Planalto, sendo publicado em e-book disponibilizado na página da editora. Trata-se, em verdade, do primeiro texto criado por mim que foi premiado em um concurso literário, razão pela qual ele é especial. "Inversão de Cecília ou Desmotivo" pode também ser tomado como uma singela homenagem à Cecília Meireles, cujas poesias, especialmente as infantis, tanto me emocionam...





Inversão de Cecília ou Desmotivo

Eu canto porque o ócio existe
e a minha vida está complexa.
Não sou alegre nem triste.
Sou pateta.
Pateta por ficar tentando
compensar tudo em poesia
em vez de encarar a realidade dos fatos.
Esses que a gente vive fingindo que não vê.
E pra quê
se mais cedo ou mais tarde
eles se jogam na cara da gente?
Põem-se a nossa frente
nos convocando para o ringue.

Sofro a ilusão pelas coisas fugidias.
Por isso choro e só lamento.
Atravesso noites e dias
perdendo o meu tempo
com prosa e verso,
romance e poesia.
Com tudo que não passa de inverso
da realidade que eu via
e vejo ao assistir o tele-jornal
ou me olhar no espelho.

Nada...
Nem prosa...
Nem verso...
Pode transmutar essa realidade.
A saudade,
Todo o amor que eu sinto
- e não minto -
não passa da imaturidade
de desejar o que não é meu,
nunca foi
e nunca há de ser.
A não ser
que um toque musical possa alterar a ordem das coisas.
E as coisas
já estão fartas de serem alteradas sem aviso prévio...

Não desmorono nem edifico,
pois não sou o síndico do meu prédio
e para tudo me sinto fraco,
- não sei, não sei. Só sei que a vida
é um saco
quando não conseguimos as coisas
as quais suponhamos
que podem nos fazer felizes.
Então, tomo assim minhas matizes
e vou fazer poesia nos meus corcovados
belo-horizontinos.
Os desatinos?
Deixo-os todos para a próxima estação
em que eu acordar.

Mas será
que isso é fraqueza?
- não sei, não sei. Vai ver é certeza
de que não se pode reverter os fatos
ou os passos
do coração dos outros.
Eu só sei que me canso. E o cansaço é tudo.
Me deixa disperso da lida e da jornada.
E eu recorro ao teclado, poetizando tudo,
e o que vejo é ritmo e mais nada.

Então, Cecília,
pode se remexer no caixão;
mas poesia
é coisa de gente sem ocupação.



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