sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O Mestre no Brasil e no Japão: reflexões sobre a valorização do Educador

sexta-feira, 14 de outubro de 2016


Durante a Copa do Mundo de 2014, a torcida japonesa teve uma atitude que impressionou (e envergonhou) os seus anfitriões: ao final dos jogos, os japoneses catavam todo o lixo deixado nas arquibancadas, e o faziam não por sentimento de obrigação ou coisa que o valha, mas por hábito, por consciência e, sobretudo, por educação.

Não é por menos... No Japão, o serviço docente é extremamente respeitado, tanto que o termo utilizado para designar o professor é “sensei”, que se traduz literalmente como “mestre”. Diga-se de passagem, os professores japoneses estão entre os servidores públicos mais bem remunerados, e o valor que o país dá a esse trabalhador é tanto que até gerou o boato de que ele é o único cidadão desobrigado a se curvar diante do imperador. Embora se trate de uma inverdade, é fato que o imperador nutre um profundo respeito pelos docentes, podendo, caso queira, até mesmo cumprimentá-los com uma discreta reverência.

Não tenho dúvida de que o comportamento exemplar dos japoneses está diretamente ligado à figura do professor. País que valoriza a educação e o educador é país com cidadãos éticos e conscientemente elevados.

Enquanto isso, no Brasil, os salários de professores estão entre os mais baixos do mundo, ao lado de outros países como Argentina, China, Índia e Federação Russa. Para ser mais exato, em termos de remuneração do trabalho docente, nós perdemos apenas para o Peru e para a Indonésia. Como se não bastasse, em terras tupiniquins as reformas na educação são feitas a torto e a direito sem que em momento algum os professores sejam consultados.

É claro que, de certa forma, o comportamento do governo em muito reflete o comportamento da população em relação ao professor. No Brasil, os cidadãos, de modo geral, não escutam o professor, optando por escutar a emissora de tevê, o partido X, o padre, o pastor, a revista semanal, o galã da novela das nove, mas nunca o professor. Por quê? Bom, Darcy Ribeiro, talvez, haja respondido a esta pergunta ao afirmar que “a crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto”. Enfim...

Quanto a mim, muito tardiamente me dei conta da importância deste profissional, bem como da definitiva influência que os meus professores, do jardim de infância à pós-graduação, exercem em minha vida. Nada que aqui eu escreva será suficiente para expressar o quão grato eu sou por existirem e por tanto haverem contribuído para que eu haja me tornado o ser humano que sou. Fica aqui o meu agradecimento, o meu afeto e o meu profundo desejo de que, em um futuro próximo, o mundo os trate como quem realmente são: os profissionais que, “apesar de”, seguem com afinco em sua missão e que persistem porque têm em vista um mundo melhor e para todos.


Obrigado, obrigado, obrigado!

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Alex

 
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