terça-feira, 24 de janeiro de 2017

De Sócrates a Luther King: reflexões sobre as misérias humanas

terça-feira, 24 de janeiro de 2017



 
O grande Sócrates (469-399 a.C.), divisor de águas na filosofia, mesmo diante da possibilidade de condenação à morte, manteve-se firme em seus princípios, embora tivesse nas mãos a possibilidade de renega-los, salvando assim a sua pele. A “Apologia de Sócrates” nos deixa bem claro que, apesar dos mil e um “crimes” atribuídos ao filósofo, havia outro, muito mais sutil e jamais expressado, que explicava todo o ódio infundado contra ele: Sócrates, como tantos outros que por aqui passaram, cometeu o terrível crime de colocar as pessoas de frente com aquilo que elas realmente eram. A humanidade jamais tolerou esse tipo de gente; jamais suportou lidar com aqueles que, humildemente e por meio de simples considerações, lhes revelassem as suas misérias, a sua hipocrisia e absurdas contradições.

Sócrates, por amor aos seus princípios, ingeriu cicuta. Algum tempo depois, um outro cara, muito conhecido nosso, foi crucificado, também pelos seus ideais e amor incondicional pela humanidade. E algo semelhante aconteceu com Giordano Bruno, Martin Luther King e tantos outros.

Mas o que nós temos com isso? Bom, tudo. A experiência desses grandes homens, além de nos inspirarem a sermos nós também firmes defensores de nossos princípios mais elevados, nos ensina que todo o ódio, toda a intolerância que endereçamos ao outro revela, simplesmente, a resistência àquilo que de fato somos. Perseguir o autoconhecimento, trabalhar em uma reforma íntima, trabalhar pela nossa evolução... Tudo isso é trabalhoso por demais. É mais fácil condenarmos à morte aqueles que nos colocam diante do espelho...

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