Ano: 2003
Direção: Merzak Allouache
Roteiro: Gad Elmaleh (esquete original e roteiro), Merzak Allouache (roteiro)
Gênero: Comédia
Origem: França
Duração: 105 minutos

Se eu tive o grande prazer de conhecer “Chouchou”, foi devido a um vago comentário de um grande amigo. Deu no que deu: “Chouchou” me conquistou pela delicadeza e simplicidade, já apresentando aqui as características que são a essência do filme. Um longa-metragem totalmente despretensioso, por mais difícil que seja considerar essa uma definição pertinente a qualquer obra que aborde temas tão sérios. Explico: “Chouchou” aborda a questão da homossexualidade (que é séria por, incrivelmente, ainda ser tabu) e do travesti (que vive a ser encarado em nossa sociedade com base em uma série de estereótipos), permitindo-se à ousadia de levar tudo isso para dentro da igreja cató
"Chouchou' é para mim o melhor exemplar da minha concepção pessoal de "filme libertário" na medida em que apresenta situações inverossímeis no contexto da sociedade atual (as mencionarei logo a diante) de modo a imediatamente ocasionar no telespectador a reflexão acerca da representação que a relação homossexual teria, na vida real, nos contextos apresentados pelo filme (a família, a igreja, os amigos). Eu mencionei situações inverossímeis. Pois bem: "Chouchou" não só leva a questão da homossexualidade para dentro de Igreja, como eu disse, como também para o contexto familiar, porém de forma tranquila, livre de dramas. O fato de Stanislas (Alain Chabat) levar Xuxu (Gad Elmaleh) para conhecer seus pais apresenta-se como algo absolutamente natural, tanto que, quando ambos estão a caminho do restaurante onde os pais de Stanislas mantêm-se à espera, a preocupação de Xuxu não é com a possibilidade de não ser aceito pelos futuros sogros por ser homossexual etc. e tal. Sua preocupação é tão somente com a possibilidade de não agradar como a namorada de Stanislas. Coisa que, aliás, não acontece. A empatia entre Xuxu e os sogros é imediata. Fico pensando nos jovens da minha geração, que tantos dramas viveram ou vivem no tocante ao posicionamento de suas famílias a respeito de sua orientação sexual.
Ainda em se tratando das tais situações, temos também a simática Dra. Nicole Milovavovich (Catherine Frot), que, ao meu ver, não é psicoterapeuta por acaso. O que temos aí é uma metáfora para a urgência de compreensão da questão da homossexualidade. O psicoterapeuta, espera-se, possui uma mente aberta para assuntos como esse, dado o seu conhecimento teórico sobre o mesmo. Interessante observar que no único momento
E, finalmente, temos a atuação de Claude Brasseur como o Padre Léon, que, em nenhum momento, dirá "sim' ou "não' à forma de Xuxu viver a vida, apenas acolhendo-o enquanto ser humano que necessita de amparo. É esse o papel da Igreja, não? Em uma bela cena em que nosso protagonista procura o Pe. Léon para se confessar, apresentando o seu desejo de se casar com o seu amado naquela igreja, tudo o que o padre faz é chorar após ouvir atentamente, sendo essa, talvez, a expressão de sua emoção diante da manifestação de desejos tão singelos e dignos por parte de Xuxu... singelos, porém impassíveis de viabilização no âmbito da Igreja como um todo.
Enfim, nada em "Chouchou" está alí à toa. Nem mesmo o paciente maluco de Dra. Nicole, que cisma
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