quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Ninguém vai aparecer para te salvar




Era, talvez, a décima segunda vez naquele dia que eu acessava o meu correio eletrônico a fim de conferir se havia resposta dele. Nada. Pensei também nos posts e stories do Insta e do Facebook. Era possível que a resposta viesse em forma de uma indireta postada ali. Nada também. As redes sociais e nossas muitas possibilidades de sofrer... Estou longe de ser o tipo conservador, mas não raro me percebo saudoso do tempo em que a gente só sofria pela ausência de uma carta ou telefonema.

E eis que a via-sacra virtual se repetiu ao longo dos dias seguintes, naturalmente acompanhada da angústia, do medo e da obsessão de quem busca em lugar incerto a salvação da própria vida.

Ora!, mas era improvável que ele não respondesse. Afinal, eu havia colocado em minha mensagem as minhas perturbações mais profundas. Aquelas que a gente não tem coragem de dizer em voz alta, sabe? Eu havia revelado ali os pensamentos suicidas que há muito rondavam a minha mente, sendo esse o tipo de coisa que qualquer pessoa com um mínimo senso de humanidade não ousaria deixar de responder, certo?

Errado! E parte do final dessa história eu já posso lhe adiantar: a tão desejada e aguardada resposta não veio. E à “aceitação” disso, como não podia deixar de ser, seguiu-se a raiva, a dor, a autopiedade e todos aqueles sentimentos que, se levados a um nível ainda mais destrutivo, nos convertem em um daqueles seres amargos que se arrastam pela vida tocando o terror na vida dos outros.

Eu sei que você, possivelmente, também já idealizou pessoas e, em momentos difíceis – como um episódio depressivo, que foi o meu caso – viu nelas a possibilidade de salvação, antecipando na imaginação as palavras dóceis e o afago tão desesperadamente desejado. Eu sei que, mamíferos que somos, temos demanda de afeto. Mas sei também o quão habituados estamos a, abrindo mão do nosso poder pessoal (herança divina!), delegarmos a outrem a tarefa de resolver os nossos conflitos e nos fazer felizes, o que talvez se deva ao fato de havermos crescido em uma cultura ocidental alicerçada em uma filosofia que exalta um salvador (e isso de maneira alguma deve ser entendido como crítica ao cristianismo e tampouco como negação de Jesus como Mestre e modelo).

Naturalmente, tomar a autorresponsabilidade como nossa palavra de ordem não dá a outrem salvo-conduto para ser cruel e indiferente à dor do próximo. Até porque a compreensão de que somos todos um é etapa fundamental no nosso processo de evolução. Isso sem falar que o exercício da cidadania envolve a dedicação de cada um à promoção da qualidade de vida do outro.

O conceito de autorresponsabilidade, no entanto, destrói a figura do herói e nos devolve a energia comumente investida em expectativas sem futuro. Quando temos a consciência (e optamos por viver de acordo com tal consciência) de que somos os únicos capazes de transformar a nossa própria existência e de que os outros já estão envolvidos com a própria, nos tornamos mais resistentes ao impacto de uma rejeição ou indiferença.

É aquela velha história... Quando não criamos expectativas, é indiferente para nós se o outro não nos faz algo bom; mas, se o outro nos presenteia com a gentileza de uma ajuda, uma palavra, um favor ou um abraço, nos sentimos no lucro, pois nada estávamos esperando.

Sim, eu sei que há pessoas más, mas eu sei também que há as nossas idealizações e expectativas que não raro vilanizam pessoas que nunca nos prometeram nada, que nunca assumiram a pesada e terrível responsabilidade pela nossa salvação.

Eu sei também que há a nossa incoerência ao, por tantas vezes, exigirmos que o outro desempenhe o papel de herói enquanto nós mesmos nos negamos terminantemente a assumir tal papel na vida de alguém, o que evidencia que, no fundo, sabemos o quão pesada é essa responsabilidade. Eu sei que há a nossa carência, o nosso egoísmo, o nosso medo, a nossa preguiça e a nossa depressão.

Contudo, a vida exige movimento – ou coragem, como diria Guimarães Rosa, grande nome da literatura brasileira –, e os outros já estão envolvidos demais com os próprios conflitos, pois não existe quem não os tenha, embora a grama do vizinho às vezes pareça mais verdinha... Pense nisso.

Se eu me matei de tristeza e sou agora um fantasma a redigir este texto? Não. Eu apenas chorei o que tinha pra chorar (o que faz um bem danado), me dediquei a atividades que geralmente ajudam a desanuviar a minha mente, fiz terapia, pedi orientação a Deus, fiquei atento aos sinais e segui vivendo. Recaídas? É claro que sim. Vale lembrar que sou humano, afinal.

Ninguém vai aparecer para te salvar. E está tudo bem...

Portanto, se aquela resposta não veio, se aquela consideração da qual você tanto precisava ficou só na fantasia, faz o seguinte: vá tomar um chocolate quente, bota pra tocar aquela música que te deixa pra cima, caminhe um pouco, sente-se numa praça arborizada e se dedique a uma boa leitura (quem sabe “O confessor”, de Taylor Caldwell?). E, quando se sentir preparada(o), joga uma água no rosto, respire fundo e – como numa canção do Roupa Nova – “se apronta pra recomeçar”. Há um navio aguardando que você assuma o leme.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Assim como a Fênix - Francisca Gomes



“Compreendamos, então, a utilidade do sofrimento em nossa vida e aprendamos com este salutar medicamento que, com sua aspereza, saneia nosso caráter. Deus, Pai soberanamente justo e bom, coloca-nos sempre nos cenários em que atuaremos com os antagonistas certos, para com eles ressarcirmos nossas dívidas e nos tornarmos, todos, protagonistas de uma história com desfecho feliz.” (pág. 163)

A manhã era o momento mais difícil (não que seja fácil agora), tão hercúlea me parecia a tarefa de sair da cama e enfrentar o dia, fazendo do toque do despertador algo como um apito de um árbitro de MMA a anunciar a hora de eu me colocar no ringue e, passado o período de descanso que me era proporcionado tão somente pelo sono, encarar o temível adversário que era a minha mente. E nessa luta, como era sabido, não seria eu o vencedor. A depressão que há anos vinha se desenvolvendo desembocara numa espécie de transferência, uma paixão arrebatadora por um terapeuta alternativo, oportunamente (e dolorosamente) trazendo à tona questões complexas sobre mim mesmo. E foi em meio a esse turbilhão que conheci a poesia de Francisca Gomes, sem, em momento algum, porém, imaginar que ela viria a desbravar novos horizontes em sua produção literária, escrevendo um romance no qual tanto vi refletido da minha própria história.

Devo, porém, confessar que, por mais que eu me haja regozijado com o meu exemplar de “Assim como a Fênix” em mãos, acompanhado de alguns mimos relacionados à Doutrina Espírita gentilmente enviados pela IDE Editora como brinde, eu não me via verdadeiramente disposto à leitura de um romance do gênero. Havendo recentemente me aventurado pela leitura de um romance espírita, bem como pela tentativa de leitura de outro, eu me via resistente a essa literatura, enfadonhas que se me haviam mostrado aquelas experiências. Havia, porém, um significativo ponto a favor de “Assim como a Fênix”. Muito mais relevante do que a profundidade do seu título ou a incontestável qualidade de sua belíssima capa, havia o fato de se tratar de uma obra de Francisca Gomes, escritora que, além de ser objeto do meu mais profundo afeto, havia sido capaz de me encantar com a sua poesia, impossibilitando-me crer que seria diferente em sua narrativa. E, assim, lá fui eu me enveredar pelas desventuras e resgates da personagem Míriam.

E eis que, dentre as tantas surpresas com as quais me deparei durante a leitura, está o fato de se tratar de um livro corajoso, dedicado que é à abordagem de temas ainda espinhosos para considerável parcela de nossa sociedade. Trata-se, porém, de uma abordagem sóbria, livre do radicalismo e passionalidade característicos da tão necessária militância. Racismo, depressão, suicídio, bullying e homossexualidade desfilam pelas páginas do esmerado texto de Francisca Gomes com menor ou maior destaque, mas sempre com o tom necessário à sensibilização do leitor para a dor humana na experiência de cada uma dessas situações.

Há que se considerar o fato de não ser imediata a empatia pela personagem central. Sendo-nos já apresentada como uma mulher tomada por uma dor com motivações desconhecidas a princípio, é um tanto árduo para o leitor torcer pela mesma já de início, vez que dela nada se sabe além de seu notório estado depressivo. Convém, no entanto, que mesmo essa resistência seja objeto de atenção, podendo refletir uma dificuldade humana de se sensibilizar e lidar com a dor do próximo. Numa análise puramente literária, porém, percebe-se uma pequena falha na apresentação da personagem, que, com suas dores, silêncios e resistências, torna-se um tanto indigesta para o leitor. Isso, no entanto, se dá apenas nos capítulos iniciais, depois dos quais o leitor vai sendo totalmente envolvido pela personagem, pelas suas tragédias pessoais – que bem justificam o seu sofrer – e, sobretudo, pelo seu crescimento e autodescoberta.

A narrativa ganha considerável fôlego a partir do acidente sofrido por Míriam, ao final do segundo capítulo. Não por acaso, o acidente que se apresenta como ponto de virada na narrativa se dá em meio a uma tempestade, que, em literatura e algumas outras expressões artísticas, é símbolo comumente utilizado como prenúncio de grandes mudanças. E é a partir daí que o leitor é positivamente arrastado por uma avalanche de reviravoltas que só fazem provar o precioso amparo de uma força maior que, como bem prova a história de Míriam, escreve certo por linhas certas.

Salta aos olhos do leitor o comprometimento de Francisca Gomes com a sobriedade na abordagem dos temas aos quais se propõe. Nesse sentido, a mesma Míriam que busca na doutrina de Allan Kardec (1804 ­– 1869) suporte para lidar com a sua doença também recorre ao tratamento terapêutico e psiquiátrico, o que inclui o tratamento medicamentoso. Nesse âmbito, a obra se mostra fiel a um dos princípios básicos do espiritismo, que, tal como explica o item 8 do capítulo primeiro do Evangelho Segundo o Espiritismo, contesta a possibilidade de haver contradição entre a Ciência e a Religião, dado ser Deus o princípio básico de ambas. Assim, não há, em momento algum da narrativa, um posicionamento contrário de Arthur, psicólogo da protagonista, à sua frequência à casa espírita ou vice-versa. A alopatia e a espiritualidade caminham, portanto, lado a lado, configurando-se como tratamentos complementares um ao outro.

Assim, se de um lado a obra revela a intimidade de uma sessão de psicoterapia, cedendo espaço até mesmo para uma abordagem, mesmo que rasa, da transferência – situação comum ao processo analítico em que o analisando transfere suas projeções para o terapeuta –, de outro, o romance apresenta conceitos fundamentais ao entendimento do que vem a ser a Doutrina Espírita, bem como o funcionamento de uma casa espírita. Desse modo, “Assim como a Fênix” se revela como leitura adequada ao sujeito interessado em conhecer a doutrina, mas resistente aos espessos volumes escritos por Kardec e Chico Xavier (1910 – 2002), leituras essas obrigatórias aos que optam por se tornarem adeptos de tal filosofia.

No que tange ao tratamento do espiritismo em especial, merece destaque a muito bem-vinda “aula” que a autora, por meio do personagem Eduardo, nos dá quando da primeira visita de Míriam ao centro espírita (p. 160-165). Temos, ali, uma profunda e belíssima explanação acerca da utilidade do sofrimento, dada a sua função de mestre. Esse e outros ensinamentos dispostos ao longo da obra são, na verdade, universais e, portanto, necessários a todos, a despeito de inclinação religiosa ou filosófica.

Falhas pontuais podem, em certo nível, causar incômodo no decorrer da leitura, tais como uma aparente confusão entre os conceitos de homossexualidade e transexualidade (p. 180 e 329), bem como trechos que, mesmo que involuntariamente, podem transmitir a equivocada ideia de que os negros demandam a generosidade dos brancos (p. 150). Nada disso, porém, traz prejuízo real ao texto, que não tem o racismo e tampouco a homoafetividade como seus temas centrais, apresentando, sim, a depressão e, por conseguinte, o suicídio como grandes vilões da história e da vida humana.

Ainda no que se refere ao comprometimento de Francisca Gomes com a abordagem da Doutrina Espírita – comprometimento esse que deveria ser natural em toda obra do gênero, mas nem sempre o é –, há que se considerar o excelente trabalho que realiza ao, estrategicamente, revelar a ação da espiritualidade a partir da desmistificação da mesma. Aqui, portanto, não há aparição de espíritos e fenômenos sobrenaturais afins. O misterioso som de um piano que se ouve em um momento crucial da narrativa (p. 267) nada tem de misterioso, tendo origem de um rádio mal sintonizado (p. 272), e, se em certa ocasião o saudoso Chico Xavier, como consta em sua biografia, se aproximou de uma senhora durante uma reunião questionando se a mesma estaria viva ou morta, aqui não há motivos para tal preocupação. Estão todos bem vivos na obra de Francisca Gomes. Dessa forma, confronta-se o leitor com aquilo que ele talvez espere para, em seguida, desconstruí-lo, de modo a mostrar que “não há rituais, adivinhações ou coisas do tipo no Espiritismo” (p. 261), como bem alerta a personagem Samanta.

E, se na obra da escritora cearense, Deus não opera por meio de fenômenos metafísicos, decerto Ele o faz por meio da sincronicidade, termo esse cunhado por Carl Gustav Jung (1875 – 1961) como definição da ocorrência de eventos que coincidem de maneira significativa para os envolvidos. E é a partir desse conceito – naturalmente, sem menção na obra – que Francisca Gomes tece reviravoltas surpreendentes envolvendo tantos dos personagens (destaque para as revelações envolvendo os personagens Vicente e Samira). Nada é o que parece ser neste mais novo lançamento da IDE Editora, mas, tanto na leitura da obra como na vida, há que se ter certeza do infalível amparo do Criador.

Quanto a mim, a princípio simples leitor, espectador da tragédia e redenção da personagem Míriam, confesso-me fortalecido após a leitura, mais confiante e suficientemente empoderado para lidar com as minhas próprias falhas, perdoando a mim mesmo e fazendo dos preconceitos, perdas e silêncios alheios um impulso para um novo voo. Pois, assim como a Fênix, é preciso se reerguer das cinzas e, mesmo que sob a pressão de grandes cargas, riscar o céu, em chamas, voando em esplendor e beleza. Tudo isso para, ao final, compreendermos que o nosso grande vilão é, sobretudo, nós mesmos.

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Sousa, Francisca de Jesus Gomes de. Assim como a Fênix. 1ª edição. Araras, SP: IDE, 2018.



sexta-feira, 11 de agosto de 2017

A Maldição das Fadas - Marcos Mota




Respiração suspensa. Olhos fixos nas páginas. Taquicardia e total encantamento. Foi assim que eu li os capítulos finais de A Maldição das Fadas, terceiro livro da série “Objetos de Poder”, de Marcos Mota, que, aqui, entre pequenos tropeços e grandes acertos, brinda os seus “Leitores de Poder” com mais uma obra fantástica! A intertextualidade e os muitos mistérios são o que a obra tem em comum com suas antecessoras, tendo, porém, algumas peculiaridades: constrói um relacionamento interracial sem dar a isso dimensões exacerbadas, empodera as personagens femininas sem querer ser feminista, trata de justiça e igualdade sem querer ser de esquerda, não raro fazendo críticas sutis (ou nem tanto) a tais movimentos ideológicos ou pelo menos aos discursos que os caracterizam. Não obstante, considerando a moral positiva predominante na narrativa, bem como a comum impossibilidade de se fazer arte sem um viés ideológico como base, nenhuma dessas peculiaridades se apresenta como um problema na obra. Pelo contrário, A Maldição das Fadas revela um autor de opinião e que sabe se valer de sua arte para transmitir aos jovens aquilo no que acredita.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

De Sócrates a Luther King: reflexões sobre as misérias humanas




 
O grande Sócrates (469-399 a.C.), divisor de águas na filosofia, mesmo diante da possibilidade de condenação à morte, manteve-se firme em seus princípios, embora tivesse nas mãos a possibilidade de renega-los, salvando assim a sua pele. A “Apologia de Sócrates” nos deixa bem claro que, apesar dos mil e um “crimes” atribuídos ao filósofo, havia outro, muito mais sutil e jamais expressado, que explicava todo o ódio infundado contra ele: Sócrates, como tantos outros que por aqui passaram, cometeu o terrível crime de colocar as pessoas de frente com aquilo que elas realmente eram. A humanidade jamais tolerou esse tipo de gente; jamais suportou lidar com aqueles que, humildemente e por meio de simples considerações, lhes revelassem as suas misérias, a sua hipocrisia e absurdas contradições.

Sócrates, por amor aos seus princípios, ingeriu cicuta. Algum tempo depois, um outro cara, muito conhecido nosso, foi crucificado, também pelos seus ideais e amor incondicional pela humanidade. E algo semelhante aconteceu com Giordano Bruno, Martin Luther King e tantos outros.

Mas o que nós temos com isso? Bom, tudo. A experiência desses grandes homens, além de nos inspirarem a sermos nós também firmes defensores de nossos princípios mais elevados, nos ensina que todo o ódio, toda a intolerância que endereçamos ao outro revela, simplesmente, a resistência àquilo que de fato somos. Perseguir o autoconhecimento, trabalhar em uma reforma íntima, trabalhar pela nossa evolução... Tudo isso é trabalhoso por demais. É mais fácil condenarmos à morte aqueles que nos colocam diante do espelho...

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O Cemitério dos Anões - Marcos Mota



“O problema todo com pessoas que se sentem como nós, diferentes, é que dificilmente encontram um equilíbrio, Rafan. Ou tentam subjugar os outros com mentiras e discrepâncias capazes de maquiar suas deficiências, aquilo que os destaca da multidão, só para se sentirem superiores, ou se fecham num universo de autocomiseração e ficam lambendo suas feridas – a maioria, mazelas mentais criadas por elas mesmas. (pág. 157-158)

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O Mestre no Brasil e no Japão: reflexões sobre a valorização do Educador



Durante a Copa do Mundo de 2014, a torcida japonesa teve uma atitude que impressionou (e envergonhou) os seus anfitriões: ao final dos jogos, os japoneses catavam todo o lixo deixado nas arquibancadas, e o faziam não por sentimento de obrigação ou coisa que o valha, mas por hábito, por consciência e, sobretudo, por educação.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

12 de outubro: dia para recordar...





O dia de hoje me traz à memória boas e más lembranças, se é que se pode assim caracterizá-las. Das boas, tenho a ansiedade típica da infância pelo presente que, raramente, meus pais podiam comprar, e, quando podiam, geralmente me frustrava em demasiado, visto que “brinquedo de menino” comumente não estava entre as minhas preferências. No entanto, a despeito dessas frustrações características de uma criança que pouco ou nada compreendia do que se passava com ela, essa segue sendo uma boa lembrança. A infância, mesmo que permeada pela incompreensão e pelo medo, é sempre uma fase saudosa à qual a gente sempre quer voltar.

Ninguém vai aparecer para te salvar